10 sinais de que o seu cachorro está estressado e como resolver

O estresse não necessariamente é algo ruim, mas um cachorro estressado sim. Mas qual a diferença das duas coisas?

Não vamos falar do ponto de vista hormonal e de saúde aqui neste post, mas sim da parte comportamental, mas é importante entender que há dois tipos de estresse diferentes: o eustresse e o distresse.

 

O estresse bom e o ruim

O eustresse é um estresse pontual, normalmente ocasionado por situações desafiadoras. Ele faz com que o organismo produza mais adrenalina, dando mais energia e ânimo para o animal e ajudando ele a superar este desafio.

Por outro lado, o distresse é quando a o estresse é muito prolongado ou o desafio é muito superior à capacidade do animal sair daquela situação.  Assim, se isso continua acontecendo por muito tempo ou quase que diariamente, o cão pode entrar em um quadro de estresse crônico.

Nesse caso, ele pode começar a apresentar diversos problemas comportamentais e até problemas de saúde como alergias, gastrites e diarreia. Por isso é muito importante saber identificar todos os agentes estressores que falaremos mais à frente, bem como os sintomas de que o seu cachorro está estressado.

 

10 sinais de que o seu cachorro está estressado

Abaixo estão os 10 principais sinais e como você pode identificar se esse é o seu caso. Muito cuidado no diagnóstico, pois muitos desses sinais podem também significar outras coisas, por isso é importante conhecer e observar muito bem o seu cão.

  1. Demarcação excessiva em casa
  2. Destruição excessiva/compulsiva
  3. Latido excessivo/compulsivo
  4. Lambedura e coceira excessiva/compulsiva
  5. Agressividade repentina
  6. Medo excessivo de coisas aleatórias
  7. Montar em pessoas e/ou objetos
  8. Perseguir luzes, sombras ou “fantasmas”
  9. Falta de apetite
  10. Regressão no aprendizado

 

1. Demarcação excessiva em casa

Não é normal um cão ficar demarcando território com urina dentro de casa. Demarcar território é quando o cão faz xixi em pequenas quantidades em vários locais diferentes. Isso acontece com mais frequência em machos, mas também já atendi vários casos de fêmeas que também demarcavam território.

Demarcar território é um comportamento natural dos cães, mas isso pode ser um problema quando começa a acontecer dentro da própria casa do cão. Isso porque é muito mais natural e instintivo fazer isso em territórios fora de casa, principalmente na rua.

Primeiro por uma questão de higiene e segundo porque dentro de casa é um ambiente que o cão deveria se sentir seguro e não sentir necessidade de ficar demarcando. Aqui já fica uma sugestão de uma das causas da demarcação dentro de casa: a insegurança e sensação de estar sendo ameaçado.

Se o seu cão não sabe direito onde fazer suas necessidade, é provável que esses erros de xixi não seja por conta da demarcação, mas pela falha na educação sanitária. Nesse caso recomendo que leia e implemente o que eu falo no artigo sobre como ensinar o cachorro a fazer xixi e cocô no lugar certo.

Entretanto se o seu cão já sabe onde fazer as necessidades, não errava nada e de repente começou a fazer xixi pela casa inteira, é bem provável que isso esteja relacionado ao estresse.

 

2. Destruição excessiva/compulsiva

A destruição, seja roendo algo ou mordendo coisas mais duras, também é um comportamento natural dos cães. Por isso é muito importante o cão ter coisas disponíveis para poder roer e destruir, diminuindo assim as chances de você ter um cachorro estressado.

Mas há alguns casos que mesmo o cão tendo diversos roedores disponíveis que ele gosta muito, ele acaba destruindo coisas que normalmente ele não mexeria ou não teria interesse algum naquilo. Isso costuma acontecer principalmente em alguns momentos específicos, quando o cão fica sozinho, por exemplo.

Também pode ser observado durante alguns dias, sumindo repentinamente da mesma forma que começou. É bem provável que nesses casos a destruição estava relacionada ao estresse. Contudo se o seu cão não tem o hábito de destruir nada e de repente começa com esse comportamento, fique alerta. Sobretudo se ele não está passando pela fase da troca de dentes.

 

3. Latido excessivo/compulsivo

Sabe aquele cão que fica o dia inteiro latindo com padrão bem definido, como se estivesse latindo para o céu? Pois é, isso é um sinal grave de que esse cachorro está estressado. Muito provavelmente por conta do tédio ou até mesmo por conta de algum problema de separação.

Se o seu cão tem dificuldade em ficar sozinho e fica latindo muito, recomendo que leia o artigo sobre como ensinar o cachorro a ficar bem sozinho. No entanto se o problema é que o seu cão fica latindo muito para outras coisas, veja o artigo sobre como fazer o cão parar de latir tanto. Alguns casos de latidos não estão relacionados ao estresse.

 

4. Lambedura e coceira excessiva/compulsiva

Há diversos motivos para o cão ficar se lambendo, sendo os 4 principais: limpeza, soothing-behavior, interação e estresse. Inclusive já falei sobre isso no artigo sobre como fazer o cão parar de se lamber tanto.

Se você começou a perceber que o seu cão está se lambendo ou se coçando muito a ponto de até se machucar, há grandes chances do seu cão estar fazendo isso por conta do estresse crônico. Entretanto, antes disso é importante descartar qualquer problema de saúde/pele.

 

5. Agressividade repentina

Seu cão sempre foi bonzinho, adora ser manipulado e tocado em todas as partes do corpo e adora pessoas e outros cães. Entretanto parece que do nada ele começou a estranhar coisas que antes ele não tinha nenhum problema e está muito menos tolerante.

Ele também não pode mais ver outro cachorro que parte pra cima querendo atacar, sendo que não aconteceu nenhum episódio traumático ou ruim envolvendo cães.  Do mesmo modo a visita não pode chegar perto do seu cão que agora ele vai pra cima dela tentando morder.

Também pode acontecer de você estar fazendo carinho como de costume e de repente ele começa a morder. É bem provável que o seu cão pode estar com algum problema de saúde ou até mesmo dor ou estressado. Mas muito cuidado para não testar os limites do seu cão, porque a agressividade repentina também pode não estar relacionada ao estresse.

Se quer saber mais sobre isso, veja o artigo todo cachorro pode se tornar agressivo.

 

6. Medo excessivo de coisas aleatórias

Há duas fases do medo que acontecem por volta da oitava semana de vida do filhote e na adolescência perto dos 8 meses de idade. Ou seja, fora esses dois períodos, que são bem breves, não é normal o cão passar a ter medo repentino e excessivo de coisas que antes ele estava totalmente acostumado.

Se por acaso você está percebendo que o seu cão está ficando com medo de coisas aleatórias e está sempre hipervigilante e alerta, pode ser um sinal de que o seu cachorro está estressado.

 

7. Montar em pessoas e/ou objetos

O comportamento de montar é um comportamento natural, mas ao contrário do que muitos pensam, na maioria das vezes que acontece não está relacionado ao ato sexual e nem é uma tentativa de se reproduzir.

Um cão que fica montando na perna das pessoas e em objetos está mais relacionado ao estresse ou até mesmo a falta de habilidade social para interagir com essas coisas. Do mesmo modo a ansiedade é um fator agravante. Quanto mais agitado, ansioso e frustrado o cão está, maiores as chances dele ficar querendo montar nas coisas.

 

8. Perseguir luzes, sombras ou “fantasmas”

Alguns cães tem uma predisposição a perseguir coisas em movimento maior do que outros. Tanto é que esses cães tendem a gostar mais de brincadeiras de bolinha, por exemplo. Mas uma coisa é perseguir uma criança correndo, uma moto, uma bolinha ou um pássaro.

Outra coisa totalmente diferente é aquele cão que fica perseguindo reflexos, luzes, a própria sombra ou até mesmo “fantasmas”. Isso já pode ser um sinal de uma compulsão e de que o seu cão está com os níveis de estresse muito elevados e está precisando de ajuda urgente.

 

9. Falta de apetite

Apesar de ser um problema muito comum e recorrente, não é normal o cão não comer bem. Por experiência própria esse tipo de problema acontece justamente porque a pessoa acaba deixando comida à vontade ou oferece mais comida do que o cão precisa. Tirando, é claro, os problemas de saúde.

Veja o vídeo abaixo e entenda o porque você não deveria deixar comida à vontade para o seu cão.

Temos também um vídeo onde eu também falo sobre como fazer a reeducação alimentar. Mas se o seu cão sempre comeu bem, comendo tudo na hora que você oferece e de repente começou a rejeitar a comida ou até demorar muito para comer, pode ser um sinal de problema. Seu cão pode estar sentindo dor, mal estar ou até mesmo estar muito estressado.

 

10. Regressão no aprendizado

Seu cão já sabe onde fazer as necessidades, já atende bem vários comandos e já aprendeu várias coisas. Mas de repente parece que ele esqueceu tudo e começa a não responder bem ou errar o que ele já acertava.

Tirando a adolescência canina, que pode fazer seu filhote ficar irreconhecível, o estresse também pode fazer isso com o seu cão. Afinal um cérebro estressado é um cérebro incapaz de reter informações e pode até mesmo acontecer um apagão na memória do cão, muito parecido com o que acontece quando você vai fazer um a prova muito importante e parece esquecer tudo que estudou.

 

Tratamento para quem está com um cachorro estressado

A premissa básica para poder reduzir o estresse do cão é seguir os 4 E’s da Cão+Saudável para resolver qualquer problema de comportamento:

  1. Entender (o problema);
  2. Eliminar (o erro);
  3. Ensinar (o certo);
  4. Encaixar (na rotina).

 

Coisas que podem deixar um cachorro estressado

Entender o problema é basicamente identificar que o seu cão está estressando e descobrir a causa desse estresse. Os 10 sinais citados anteriormente te darão uma pista do que pode estar acontecendo. Há diversos fatores estressores na vida de um cão, vou citar alguns deles:

  • Cão não se alimentar bem;
  • Sono irregular ou insuficiente;
  • Forçar o cão a fazer coisas que não gosta;
  • Barulhos que incomodam o cão;
  • Exigir atividades demais do cão;
  • Manipulações estressantes como veterinário ou banho;
  • Situações de muito medo (luta ou fuga);
  • Tempo sozinho sem atividades;
  • Broncas por mau comportamento.

 

Esses são apenas alguma das coisas que podem estressar o seu cão. Identificando todas elas (primeiro E), o segundo passo é eliminar o máximo do estresse da vida do seu cão (segundo E). No caso específico do cachorro estressado, o terceiro E seria ajustar a rotina desse cão.

Para isso, recomendo que você leia os dois artigos abaixo:

 

E por fim, o quarto e último E é tentar colocar esse ajuste da rotina na sua própria rotina. Aqui por exemplo tentamos otimizar ao máximo as atividades dos nossos cães com tarefas que já teríamos que fazer. A principal delas são as refeições. Nossos cães comem 3 vezes ao dia justamente para podermos aproveitar esses três momentos para que eles possam ter atividades que gostam.

Antes da primeira refeição fazemos o passeio, na volta utilizamos parte da refeição para brincar e treinar e o restante oferecemos em alguma atividade de enriquecimento ambiental (EA). No almoço oferecemos apenas algum roedor natural e a refeição em alguma atividade de EA e na janta, repetimos a mesma rotina do café da manhã.

 

Qual a rotina ideal para um cão não ficar estressado?

A rotina é sim muito importante e ela compõe um dos três pilares da metodologia NCA da Cão+Saudável para se ter um cachorro feliz e educado. Os três pilares são:

  • Necessidades básicas: que é oferecer oportunidades do seu cachorro ser cachorro e fazer coisas que gosta.
  • Comunicação canina: aprender como se comunicar com o seu cão e entender como ele está se sentindo é fundamental para evitar situações de estresse.
  • Aprendizagem canina: aqui você precisa entender como funciona a mente do seu cão e saber como ensinar qualquer coisa pra ele.

Se quiser aprender mais sobre o método NCA e como ter um cachorro menos estressado, não deixe de dar uma olhada no Portal Cão+Saudável, lá você encontra tudo o que falamos aqui de uma forma muito mais detalhada e aprofundada.

Rafael Velozo

Rafael Velozo

É adestrador comportamentalista, fundador da Cão+Saudável e idealizador do Portal Cão+Saudável.
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