7 mitos sobre o adestramento positivo

Existem várias metodologias diferentes para se educar o próprio cão, até mesmo sendo utilizadas pelos próprios profissionais. Se você quer entender quais são elas e qual a diferença, veja essa publicação aqui. Mas nesse artigo eu quero falar sobre os principais mitos sobre a metodologia que a Cão+Saudável utiliza, que é o adestramento positivo.

1) É só dar petisco pro cachorro [MITO]

Esse é um dos mitos clássicos sobre adestramento positivo. Ficar recompensando coisas aleatórias e dando petisco sem critério algum pro cão pode ser qualquer coisa, menos adestramento positivo.

Você precisa saber muito bem o que você quer recompensar e melhor, se quer recompensar alguma coisa nesse momento. Saber analisar a situação e entender também o que está sendo aprendido é essencial para ter bons resultados.

Quer um exemplo prático de comportamentos que você está reforçando sem nem mesmo saber? Sabe quando o cão senta ao seu lado, começa a bater a pata na sua perna ou latir enquanto todos estão jantando? Na hora que você oferece um alimento para o cão parar de fazer isso, você está reforçando justamente o que você não quer (latidos).

E quando o cão está arranhando a porta para entrar no seu quarto e você vai lá e abre a porta para ele parar de arranhar, sabe o que você acabou de fazer? Reforçar o comportamento de arranhar a porta. Adivinha só o que o cão vai fazer quando quiser abrir uma porta? Isso mesmo, arranhá-la, afinal, você que ensinou isso a ele.

Ou seja, muita atenção em tudo que você está ensinando ao seu cão. Petisco não é sinônimo de reforço e recompensa, é só uma parte deles.

 

2) Só corrigir comportamentos inadequados [MITO]

O foco do adestramento positivo não é corrigir ou consertar comportamentos. Trabalhamos com modificação comportamental mas muitas vezes o foco está em ensinar novos comportamentos. Parece besteira, mas corrigir pressupõe-se que tem algo de errado com o cão, quando na verdade ele só está fazendo aquilo que acredita ser melhor para ele.

Você deve ensinar o que ele deve fazer ao invés do que ele não pode fazer. O objetivo é mostrar ao cão qual comportamento ele deve oferecer no lugar do comportamento que você julga ser inadequado para que assim ele possa fazer o “certo”.

A escolha deve partir sempre do cão, caso contrário você está forçando uma situação que é insustentável e indesejada para o cão. Ficou confuso? O exemplo clássico disso são os pulos: o cão só pula porque essa é a forma mais rápida de conseguir interagir e receber atenção de alguém. Se ele tivesse a certeza de que sentar fosse mais eficiente, com certeza ele sentaria.

 

3) É deixar fazer qualquer coisa [MITO]

Outro dos mitos muito comum sobre adestramento positivo é achar que deve deixar o cão fazer qualquer coisa. Não estabelecer regras é bem diferente de não utilizar punição. Os limites e regras são essenciais para uma boa convivência com o cão.

Através do adestramento positivo você aprenderá a estabelecer regras que beneficiam a todos, não só você, nem só seu cão. Afinal, você gostaria de viver em uma sociedade sem regra alguma, onde cada um faz o que bem entender?

As regras são importantes justamente para manter o ambiente equilibrado e justo. O problema é quando as regras não estão claras para todos ou alguns tentar burlá-las. Ser positivo é bem diferente de ser permissivo, cuidado.

 

4) Só usa reforço positivo [MITO]

Só utilizar reforço positivo é muito diferente de ter como base de treino o reforço positivo. A vida não é um mar de rosas e você não deve colocar seu cão em uma bolha, afastando ele de todos os perigos e frustrações da vida.

Mas isso também não significa que começaremos a inserir punições, broncas, aversivos e armadilhas em um treino para ensinar algo. Existem outras formas de se conseguir os mesmos objetivos.

Quem fala para você usar latinha com moedas, bater o jornal no chão, borrifar água na cara do cachorro ou dar um tranco está apenas ensinando a você estratégias para estragar o seu vínculo com seu cão. Se esse é o seu objetivo, vá em frente. Mas saiba que isso pode ser qualquer coisa, menos adestramento positivo.

 

5) Cachorro sempre obediente [MITO]

Obediência a qualquer custo nunca foi e nem será o objetivo de qualquer adestrador positivo. Além disso, quem aqui acerta 100% das vezes e não comete nenhum equívoco?

Você deve entender as limitações e dificuldades do seu cão e respeitá-las. A ideia do adestramento é justamente ensinar novas maneiras do cão conseguir o que quer e acima de tudo, querer cooperar com seu dono porque confia nele. Simplesmente impor suas vontades vai contra tudo isso.

O nosso objetivo através do adestramento positivo não é ter um cão super obediente, mas sim reconhecer até que ponto nosso cão é capaz de lidar com tudo aquilo ao redor dele e ajudá-lo a superar suas dificuldades. Quando você entende isso, a obediência deixa de ser o foco principal, mas passa a vir por consequência.

 

6) É só uma bronquinha, não faz mal [MITO]

Um adestrador positivo jamais recomendaria que você utilizasse uma coleira de adestramento ou de obediência (nome bonito para guia unificada, que é um enforcador). Muito menos irá sugerir que você monte armadilhas para assustá-lo na tentativa de interromper um comportamento.

Isso são apenas punições disfarçadas e não são utilizadas em um treino positivo. Mais uma vez, o foco está em construir novos comportamentos para que o cão queira trocar o comportamento atual por outro mais adequado.

Inserir coisas ruins no meio só fará com que seu cão fique mais inseguro e com receio da sua presença. Meu objetivo com meus cães é que eles se sintam bem e felizes ao meu lado, não com medo e receosos de que a qualquer momento pode acontecer algo de ruim com eles.

 

7) Recompensar é subornar o cão [MITO]

O principal receio é achar que ao recompensar o cão pelo bom comportamento, você está subornando ele e ele não fará nada se não tiver o suborno em troca. Mas saiba que esse é mais um dos mitos sobre o adestramento positivo que só acontece se você não entende completamente a técnica.

Seu cão não vai ficar viciado em petiscos e nem deixará de fazer alguma coisa se não houver petiscos por perto. Isso acontece quando você está usando a comida para tentar fazer o cão prestar atenção em você, quando na verdade primeiro você deveria conseguir o comportamento para só depois reforçá-lo, com comida ou não.

Há uma sutil diferença entre o cão fazer algo e ser pago por isso e você implorar para que ele faça algo só porque você tem alguma coisa na mão que ele quer muito. Até porque há diversos tipos de reforçadores que vão muito além da comida, como brinquedos, brincadeiras e até mesmo atividades como subir no sofá ou sair de casa.

Será que você está sabendo usar todas essas recompensas ao seu favor? Ou você fica apenas dando isso tudo de qualquer jeito sem que o seu cão faça nada em troca? Cuidado, porque aqui está o pulo do gato para ter um cão muito mais conectado e colaborativo.

Rafael Velozo

Rafael Velozo

É adestrador comportamentalista, fundador da Cão+Saudável e idealizador do Portal Cão+Saudável.
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